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domingo, 4 de setembro de 2011

Aviões da Vasp começam a ser desmontados no aeroporto de Congonhas

A primeira das nove aeronaves da falida Vasp, que ocupa um hangar de 170 mil metros quadrados no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, começou a ser desmontada na tarde de 23 de agosto. As partes dos sete aviões Boeing 737-200 e dois Airbus A-300 serão vendidas como sucata em leilões, liberando o espaço do aeroporto. A previsão para o desmonte total das aeronaves é entre 20 dias e 60 dias.

“Esses aviões [fora de uso] atrapalham a circulação e a operação de hangares como este, que tem sua capacidade de operação limitada. Certamente, será um grande ganho de capacidade e de áreas operacionais”, disse o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, que participou do evento que deu início ao desmonte dos aviões, conforme prevê o programa Espaço Livre, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), há 117 aviões fora de uso estacionados em aeroportos de todo o país, e que também serão desmontados e as peças leiloadas. Depois de Congonhas, os próximos aeroportos onde ocorrerão desmontes de aviões são: o Galeão, no Rio de Janeiro, e o Juscelino Kubitschek, em Brasília.

A Vasp teve a falência decretada em 2008, mas os aviões estavam parados há pelo menos três anos. O dinheiro obtido com o leilão vai ser destinado à massa falida da Vasp, ou seja, aos credores da companhia.

“É um acordo que fizemos com a Justiça. Tudo isso irá a leilão e os recursos arrecadados ajudarão a pagar isso. Mas há um compromisso da Infraero que se por acaso não houver arrematador, vamos arrematar pelo preço mínimo de R$ 30 mil, e aí vamos dar um destino qualquer a esse monte de ferro-velho. Para a Infraero, vale a pena pagar qualquer preço para tirar isso daqui”, disse o presidente da empresa, Gustavo do Vale. Ele estima um prejuízo para a Infraero em torno de R$ 100 mil mensais com os espaços ocupados com cada um dos nove aviões da Vasp no Aeroporto de Congonhas.

Segundo Vale, a expectativa é que a retirada de todos os aviões sem uso nos aeroportos brasileiros ocorra até meados de 2013. “Espero em dois anos terminar isso tudo para que, na Copa do Mundo, esteja tudo liberado”, disse.

Para a corregedora nacional de Justiça, a ministra Eliana Calmon, o leilão dessas aeronaves representa uma “vitória da administração pública moderna sobre a burocracia”. Segundo ela, a prioridade do programa é tirar todos os aviões sucatas que estão em Congonhas, que é o aeroporto mais congestionado do país.

Fonte: Aqui

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Justiça vai leiloar 27 aviões da VASP

A Justiça vai leiloar 27 aeronaves da VASP. O objetivo é utilizar o dinheiro para pagar os ex-trabalhadores da companhia. Ainda não há data definida para os leilões. Ao todo, a Vasp deixou uma dívida estimada em R$ 5 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão seria o montante a ser destinado para seus ex-funcionários.

A expectativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é a de que a realização de leilões de aeronaves também tenha um efeito positivo nos aeroportos.

No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a retirada de nove aeronaves da VASP vai permitir a liberação de uma área equivalente a três campos de futebol (170 mil metros quadrados). "Estamos limpando os aeroportos", afirmou Marlos Melek, juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça. "Não vamos mais permitir que os aviões apodreçam em aeroportos brasileiros", completou.

Ontem, o CNJ entregou um avião Cessna, modelo 206, para o Tribunal de Justiça do Amazonas. O Cessna foi apreendido pela Justiça com 471 kg de drogas. A aeronave estava num hangar da Polícia Federal, em Brasília. Agora, vai servir de transporte para o Judiciário do Amazonas. "Pela primeira vez, um TJ recebe um avião para levar a aplicação da Justiça a longínquas comarcas", comemorou a ministra Eliana Calmon, corregedora Nacional de Justiça.

No Amazonas, o Judiciário estava prestes a fechar 30 varas por conta de problemas de transporte de processos. No Estado, não há estradas e o contato entre as varas e o Tribunal de Justiça, em Manaus, era feito por barcos em viagens que podem durar 20 dias.

"Há juízes que ficam isolados na floresta", constatou Eliana. Segundo ela, outros Tribunais de Justiça das regiões Norte e Nordeste devem receber aviões no futuro. Os próximos estados da lista devem ser o Pará e o Piauí.

Os aviões da VASP serão desmontados para os leilões, pois o Conselho Nacional de Justiça verificou que não há interesse pela aeronave inteira, mas sim, pelas peças, como fibras de plástico, alumínio aeronáutico e poltronas. O desmonte para venda terá início ainda neste mês, em Congonhas.

A manutenção das aeronaves da VASP custa R$ 1,2 mil por dia nos aeroportos. O valor é pago pela massa falida da companhia. Ou seja, pelos credores. Com os leilões, a expectativa é a de que os credores finalmente recebam parte do que a VASP lhes deve.

Fonte: Valor Econômico

terça-feira, 10 de maio de 2011

Em 1988 Boeing da Vasp foi sequestrado

O caso do sequestro e posterior queda de um monomotor na cidade de Goiânia relembra uma das mais trágicas passagens da aviação civil do pais.

Em 29 de setembro de 1988, um Boeing 737-300 decolou de Belo Horizonte. Era o vôo VP-375 da VASP com destino ao Rio de Janeiro. Pouco depois da decolagem, o tratorista desempregado Raimundo Nonato começou a disparar contra a porta da cabine dos pilotos com um revólver calibre 32. Nonato culpava o presidente José Sarney pela penúria em que estavam ele próprio e o Brasil e decidira atirar-se com um jato repleto de passageiros sobre o Palácio do Planalto. Os tiros feriram um tripulante e um passageiro, e o comandante Fernando Murilo de Lima e Silva rendeu-se ao seqüestrador. Uma vez na cabine, Nonato mandou que se tomasse o rumo de Brasília. O co-piloto tentou pegar o rádio de comunicação, tomou um tiro na cabeça e morreu instantaneamente.

Por mais de três horas, o comandante Murilo negociou com o seqüestrador, voando sobre Brasília, Goiânia e Anápolis. Diante da intransigência de Nonato e da possibilidade de ficar sem combustível, chegou a fazer duas manobras quase suicidas tentando desequilibrar e desarmar o seqüestrador. Na primeira, fez um “tunneau”. Depois, um parafuso, deixando-o cair com o nariz para baixo enquanto girava. Essa manobra foi tão brusca que parte do estabilizador do Boeing se desprendeu e caiu sobre um conjunto de casas em Goiânia. Engenheiros da fábrica afirmam que é o único registro de manobra desse tipo com um Boeing 737. As manobras foram testemunhadas por um Mirage III da FAB que acompanhava o vôo (observar o Mirage no vídeo abaixo perseguindo o 737 no início do parafuso) e contadas pelo comandante Murilo, que, na confusão, acabaria pousando na capital goiana. Em terra, Nonato exigiu um avião menor para fugir, acabou levando três tiros numa cilada e morreu alguns dias depois, internado no Hospital Santa Genoveva, em Goiânia. Como vinha se recuperando bem dos ferimentos, a morte se tornou um mistério que só viria a ser desvendado pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Universidade Estadual de Campinas, que autopsiou o corpo e atestou que ele morreu de infecção por anemia falciforme, uma doença congênita.

Comandante da VASP foi homenageado em 2001: Com 13 anos de atraso, o piloto Fernando Murilo de Lima e Silva, de 53 anos, foi homenageado pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas. Murilo, que evitou a tragédia, recebeu o troféu Destaque Aeronauta hoje, no Dia do Aviador.

“Antes tarde do que nunca”, disse o piloto, que na época foi condecorado pelo Ministério da Aeronáutica e pelo governo de Minas. “Acho que essa homenagem demorou para sair. Apesar da medalha da Aeronáutica, a aviação civil deveria ter feito isso há muito tempo”, afirmou Alberto Antunes, integrante da nova diretoria do sindicato, que tomou posse na cerimônia. Antunes foi colega do homenageado na Vasp, e fazia parte da tripulação que entregou o avião aos cuidados de Murilo, em Cuiabá, no dia do seqüestro.

Oito anos depois do seqüestro, quando pilotava aviões DC-10 em vôos internacionais, o comandante se aposentou. “O (Wagner) Canhedo me obrigou. Queria enxugar o quadro de vôo. Fiquei um tempo parado, fui tentar fazer outras coisas fora da aviação”, explica.

No dia 11 de setembro de 2001, mês do seqüestro e do seu aniversário, viu uma história parecida se desenrolar nos EUA, com final trágico. “O que aconteceu em Nova York e Washington foi meio parecido. Os seqüestrador tinha a mesma intenção. Só que lá eram vários.”

Fonte: Aqui